‘Eis um ser humano que cumpriu o seu dever’

abril 3, 2022

A acadêmica Nélida Piñon lamenta a morte a escritora e amiga Lygia Fagundes Telles, que nos deixou neste domingo (3), aos 98 anos

Nélida Piñon acordou na manhã deste domingo (3) com a triste notícia do falecimento da escritora Lygia Fagundes Telles (1923-2022). Segundo informou a Academia Paulista de Letras por meio de nota, a autora faleceu por causas naturais, em casa, na região dos Jardins, na capital paulista.

Enquanto se deslocava para o município de Nova Iguaçu para ajudar pessoalmente sua secretária particular, que teve a casa invadida pela chuva dos últimos dias, Nélida conversou com o New Mag por telefone e lamentou a perda da amiga.

– Lygia Fagundes Telles merece estar no Panteão da Pátria. Não somente foi uma grande contista, uma grande escritora, como uma ilustre brasileira, que nunca falhou no trato pessoal, no trato coletivo e na sua consciência nacional – disse Nélida emocionada ao se recordar da convivência com a escritora paulista, a quem se referiu como sendo “dona de uma obra formidável e de alta sensibilidade”.

– Ela tinha extraordinárias filigranas linguísticas, imagens, compunha personagens envolvedoras, inclusive seu romance “As Meninas” foi o símbolo da juventude de uma geração que se opunha à ditadura, que se opunha às restrições morais, a uma sociedade acanhada, mesquinha – lembrou a amiga, completando em seguida: – Eu vejo a partida dela com sentimentos de que eis um ser humano que cumpriu o seu dever com uma rigorosa e total integridade em todas as instâncias da nossa civilização.

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